sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Dobrou e arrumou todas as meias. Envernizou o chão da casa.
- Chama-se a isto viver: agir, preencher o espaço com movimentos, ser um elemento pulsante (audível, sensível). Sou uma vida incandescente - pensou Sóror Miranda abrindo as janelas da sala. - O vento ateia o fogo. - Pegou subitamente na mala. - Chega de palavras, chega de palavras, chega de palavras. - Tinha saído impulsivamente de casa (as chaves na mala como se por milagre: não havia margem para enganos). - Já chega.
Sóror Miranda percorreu a cidade movendo-se na síncope do pensamento: era uma máquina de precisão. Mais: em breve adquiriria a capacidade de se confundir com a rua, andando até o pensamento se diluir no vento.
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