Esta quase monástica forma de estar, pensou Sóror Miranda, não é intencional. Quero eu dizer: é por as coisas serem como são, é por haver uma profunda não conformidade entre isto e aquilo… E eu equilibro os pratos da balança. Tiro subtilmente daqui, ponho subtilmente ali…
Por vezes, o ruído interior era tão ensurdecedoramente previsível, que Sóror Miranda se refugiava na pastelaria para absorver ruído alheio. Gloriosamente sentada na pequena mesa em frente da janela, ouvia todas as conversas que conseguia.
Ouvia tudo. Até chegar a um ponto de aturdimento – e poder efectivamente dizer que se equilibravam os pratos da balança, pois aquilo que punha de exterior igualava em peso e em absurdo o que havia no interior – e até todas as palavras serem incompreensíveis e se confundirem com o imparável tilintar da louça, e ser impossível a sua permanência naquele lugar em modo de compostura.
Saindo da pastelaria, Sóror Miranda punha-se a andar a passos largos.
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