Sóror Miranda apercebeu-se de uma
conjuntura. Ou de um conflito entre duas regiões, quando tentava encaixar na
prateleira dos livros o livro obscuro. A prateleira enchendo-se de plantas (que
pendiam da prateleira de cima), e cheia, também, de pequenas molduras, objectos
quase kitsch. O problema não era o kitsch, eram as plantas da casa: as orquídeas, as
dracenas, as begónias e, meu deus, as violetas.
Fulminada,
pensou quem sou eu afinal? O assombro
arrumado na estante cercada de factos botânicos. Para não falar dos
cortinados. O assombro metido numa casa,
coexistindo com ela, com os objectos e as coisas vivas – e Sóror Miranda nem se
lembrava de ter comprado os cortinados, de ter plantado as plantas, etc. etc.
etc. Havia, por isso, que resolver um conflito de interesses: a casa ou o livro?
Sóror Miranda pensou eu escolho a vida.
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