terça-feira, 28 de maio de 2013


Sóror Miranda apercebeu-se de uma conjuntura. Ou de um conflito entre duas regiões, quando tentava encaixar na prateleira dos livros o livro obscuro. A prateleira enchendo-se de plantas (que pendiam da prateleira de cima), e cheia, também, de pequenas molduras, objectos quase kitsch. O problema não era o kitsch, eram as plantas da casa: as orquídeas, as dracenas, as begónias e, meu deus, as violetas.
Fulminada, pensou quem sou eu afinal? O assombro arrumado na estante cercada de factos botânicos. Para não falar dos cortinados. O assombro metido numa casa, coexistindo com ela, com os objectos e as coisas vivas – e Sóror Miranda nem se lembrava de ter comprado os cortinados, de ter plantado as plantas, etc. etc. etc.
Havia, por isso, que resolver um conflito de interesses: a casa ou o livro?
Sóror Miranda pensou eu escolho a vida.

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