Sóror Miranda quer fugir
por não ter uma banda.
Por não saber gerir
a vida que não anda.
- Estou imóvel como a pedra da calçada:
vejo tudo, não faço nada.
Quero um tear, não tenho um tear
para poder fiar. Tenho de o ir buscar
ao país vizinho
ou a outro mais distante.
Longe, longe, onde só beba vinho
e onde o pensamento
não se organize em torno do tormento.
E longe, onde não prevaleça
o “enveredou-pela-via-comercial”
nem nada que se pareça.
Sóror Miranda constrói um altar
para a Nossa Senhora da Agonia
prometendo preces e muito louvar.
- Há-de me ajudar. Há-de ser o meu guia.
Entre púcaros e mantas
monto um batalhão de santas.
Sóror Miranda, anda daí, anda
Sóror Miranda, anda daí, anda
Sóror Miranda, anda daí, anda
Foi o que lhe pareceu ouvir...
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