sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma música fez-se então ouvir por entre a janela entreaberta. Era uma canção rock, longínqua e entrecortada. Dizia assim:


Sóror Miranda quer fugir 

por não ter uma banda.

Por não saber gerir

a vida que não anda.


- Estou imóvel como a pedra da calçada:

vejo tudo, não faço nada.

Quero um tear, não tenho um tear

para poder fiar. Tenho de o ir buscar

ao país vizinho

ou a outro mais distante.

Longe, longe, onde só beba vinho

e onde o pensamento

não se organize em torno do tormento.

E longe, onde não prevaleça

o “enveredou-pela-via-comercial”

nem nada que se pareça.



Sóror Miranda constrói um altar

para a Nossa Senhora da Agonia

prometendo preces e muito louvar.

- Há-de me ajudar. Há-de ser o meu guia.

Entre púcaros e mantas

monto um batalhão de santas.

  

Sóror Miranda, anda daí, anda

Sóror Miranda, anda daí, anda

Sóror Miranda, anda daí, anda 



Foi o que lhe pareceu ouvir...


 

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